quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brasileiros estão em todos os lugares...

A primeira vez que sai do Brasil, indo passar um período (muitíssimo curto!) de três meses na Dinamarca, pensei: "Não quero encontrar brasileiros, eles estão às pencas e em todos os lugares!", é o que todos dizem...
O que eu queria dizer com isso era que, quando se encontra outros brasileiros, querendo ou não, você se distancia um pouco da "cultura local". A língua fica mais difícil de ser aprendida e você acaba não sentindo como é o estilo de vida do lugar, porque se rola uma certa identidade, que é normal nessas situações, principalmente quando se chega em outro país, logicamente que o laço de amizade fica naturalmente mais forte. Quem nunca ouviu falar naquelas pessoas que foram aprender inglês durante as férias nos Estados Unidos, voltaram sem saber falar quase nada e ainda por cima namorando...um brasileiro?!

Bom, fui pra Copenhague, e acabei sim tendo contato com alguns brasileiros, porém, muito breve! Mantive a amizade com  apenas uma, a Jujuca, que é casada com um viking 2x2! ;) 
A maioria das outras pessoas que eu realmente convivi eram dinamarquesas, e elas me deram a oportunidade de conhecer suas família, aprender mais sobre a cultura do país, a língua e os costumes, então da pra perceber que fui tudo MUITO BOM DEMAIS, enfim, missão cumprida! =)

Quando eu fui pra Alemanha, quis repetir o sucesso da primeira experiência e resolvi não procurar nem entrar em contato com outros brasileiros, pelo menos no começo do meu doutorado, foi um fracasso TOTAL!!! Na Alemanha, ou mais especificamente em Hannover, quase ninguém te chama pra sair e as chances de conversas casuais acontecerem num supermercado, num bar ou na balada, são praticamente nulas. A maioria das pessoas também não tem o mínimo de sensibilidade pra te inteirar da conversa quando você no meio de uma roda de alemães sem sabe o que eles estão conversando.
*Pode ser que isso tenha acontecido só comigo ou talvez seja uma característica das pessoas da região onde eu moro, mas em geral, as outras pessoas com quem eu conversei compartilham da mesma opinião...

No começo eu não conseguia entender o porque disso. Mas o acontece é que a Alemanha não é igual a Dinamarca, simples assim!
Muita gente pensa que quanto mais nórdico o país é, mais frio é o clima e assim também são as pessoas, mas essa é uma teoria que há muito tempo já caiu por terra e as pesquisas falam por si mesmas. Outra coisa que as pessoas pensam é que os alemães são assim, não muito amigáveis, por causa de todos os fatos históricos que os acompanham, o que também é uma inverdade. Eles já eram assim antes, durante e vão continuar assim, sempre!

Eu acredito que os alemães sejam assim, pelo simples fato de que eles são assim, entende? 
Vou explicar fazendo outra pergunta...
Porque os japoneses são tão respeitosos e disciplinados? Porque os italianos falam gesticulando tanto? Porque os espanhóis são tão sensuais?
Eu não acredito que essas questões tenham alguma coisa a ver com a adaptação ao ambiente ou com nenhum tipo de lei da sobrevivência. As coisas são como são e não há nada que você possa fazer para mudá-las (ditado traduzido do alemão)!
Já os alemães são assim mesmo, quietos, desconfiados e frios, não cabe a mim ficar indignada ou chateada, afinal, eu escolhi morar la, to certa ou to errada?!

O que me fez pensar nesse assunto foi que estando agora aqui na Itália, por quase duas semanas, percebi que os brasileiros podem estar sim em todo lugar. Vira e mexe ouço uma palavra que me soa familiar e logo estou conversando em alguém do Brasil! Só na semana passada conheci uns 10 brasileiros, foi um record! Em Hannover é tão difícil ouvir alguém falar português, que quando eu ouço fico até em estado de alerta, igual cachorro quando ouve um barulho estranho, sabe?! hahahaha 

Enfim, depois desse um ano morando na Alemanha, com pouquíssimas interações sociais fora do trabalho, e um pouco de frustração por ainda não conhecer quase nada da cultura e muito menos da língua, comecei a me sentir diferente. A confirmação da minha suspeita veio quando fui ao Brasil pra passar o natal com a minha família, e ao encontrar uma das minhas amigas, a Rima, ela disse que eu estava muito quieta e séria. Nesse momento e parei e refleti: "Será que eu  estou me tornando uma alemã?" A resposta imadiata foi: "Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe!!!", a idéia não me agradou muito, se é que você me entende...

Quando voltei das férias de volta pra Alemanha, tratei de recuperar o tempo perdido! Finalmente comecei a ter mais contato com os brasileiros que moram em Hannover, principalmente com o Murilo e a Ana (gaúchos do meu coração), além da Carol do Chile e o Marcelo (coxa branca ;)), que eu já tinha um pouco mais de contato antes. Eles foram a minha salvação! 
Com eles eu sei agora que não vou passar os fins de semana amargando em casa, porque o pessoal é animado, sempre sabe onde ir e sempre tem um esquema armado até mesmo antes do fim de semana chegar, quer dizer, solidão, nunca mais!!! =D

Trilha sonora: Hino Nacional Brasileiro! ;)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Moscou!

Voltando um pouco no tempo, mais precisamente no terceiro final de semana de outubro de 2011, quero contar como foi estar em Moscou.

Estávamos eu e Leticia (minha amiga que mora em Stuttgart) teclando em agosto, quando decidimos viajar juntas pra Moscou, NICE!
Ela encontrou passagens baratas de avião e eu encontrei um hostel que parecia ser OK, entao reservamos tudo!

Eu nao sabia o que esperar, porque a Rússia como um todo era um ponto de interrogacao pra mim, eu só sabia que era FRIO, de resto não sabia nada... Aliás, eu ainda nao sei se Moscou fica na Europa ou na Asia! hahaha =D

Chegado o dia da viagem, pra ser bem sincera, eu nao estava muito empolgada... Como eu tinha reservado os tickets em agosto, nem me lembrava direito horas eu deveria estar no aeroporto. Eu estava no meio do meu experimento e ja estava cansada. Mas tudo bem, combinado é combinado né?!

Chegando em Moscou tive a impressao que tinha caido numa enrascada... O aeroporto era estranho, aparentemente pequeno e nao oferecia muito conforto nem hospitalidade.
Tentei entrar em contato com a Leticia, que deveria chegar dali uma hora, mas nao consegui. O portao onde desembarquei tinha apenas uma cafeteria pequena e ninguem falava ingles. A mocinha que atendia na informacao turistica também falava pouquíssimo inglês mas era de grande simpatia, pelo menos...

Depois de meia hora sem saber o que fazer, em meio aquela gente esquisita, olhando pra mim a todo momento, decidi ir pro Hostel (um conselho muito importante pra que vai pra Moscou: tenha em mãos todos os mapas que vc vai precisar, em alfabeto romano e cirílico (aquele alfabeto com letras engraçadas que eles usam la). Eu nao tive esse cuidado e tinha apenas as direcoes que o hostel me forneceu (nome da rua e número).

Como a minha colega de trabalho morou 5 anos em Moscou, eu tive a sorte ter algumas instruções de antemao. Mesmo assim, a insegurança era grande.
Assim que cheguei na estacao central, onde, DETALHE, vi um homem vendendo lagostins num saco de plástico, ainda bem vivos e se mexendo, tive a ideia de comprar um mapa. Andando alguns metros encontrei uma livraria, MAGAVILHA!
No terceiro piso havia uma parte com livros em ingles, entao me dirigi ao atendente afim de obter mais informacoes...
Eu: Oi, eu gostaria de saber se você tem um mapa em ingles/russo, porque eu preciso ir pra rua xxx e nao consigo encontrar as direções.
Ele: Oi, de onde vc vem?
Eu: Brasil.
Ele (com um ar galante e dentes bem estragados): Qual é o seu nome?
Eu (um pouco aborrecida mas mantendo a educacao): Aaa... Lilia.
Ele: Muito prazer Lilia (estendendo a mao), meu nome é Armand e você é muito bonita... Você gostaria de tomar um café comigo? (Nesse momento, ele comecou a beijar minha mao e deu uns 6 beijos molhados até que eu conseguisse puxá-la de volta).
Ai Jesus! Eu sabia que tinha arrumado pra cabeca!

Mesmo assim, nao me fiz de ofendida. Aproveitei a situacao para pedir o computador emprestado afim de ver onde eu deveria ir, acessando o google maps. Depois disso, recusei a proposta do café, comprei  o mapa (pra não ficar chato) e sai.

Encontrei a Leticia horas depois quando fui fazer comprar pro nosso café da manha do dia seguinte, estava ja tao cansada que so quis dormir.
No nosso quarto havia um grupo de holandeses muito legais, tivemos muita sorte! Havia também dois caras da Rússia que por sinal gostavam muito do Brasil, ou pelo menos nos davam essa impressão.

No dia seguinte saímos cedo pra visitar o Kremlin e o red square, os lugares mais famosos de Moscou. O sistema de metro em Moscou é uma coisa louca, demoramos muito tempo pra entender e absolutamente NINGUÉM la fala ingles, um desespero.

(As pessoas em Moscou sao diferentes, nao sei explicar como. Os homens sao mal vestidos e feios. As mulheres se vestem muitíssimo bem e sao muito bonitas. Gostam de casacos de pele, botas de salto muito alto e tem os cabelos e a maquiagem impecáveis. Porem, quando se entra no metro, principalmente se ele esta cheio, o cheiro de banho mal tomado e de dentes mal limpos é forte.)

Enfim, depois de queimar a massa cinzenta vimos qual era o truque e seguimos em frente. Visitamos o red square e tiramos fotos lindíssimas da catedral de São Basílio, foi demais, até encontramos os nossos colegas holandeses do hostel! Ficamos sabendo que à noite haveria um show de luzes e decidimos esperar! Almoçamos num restaurante próximo de lá que parecia mais um conto de fadas de tao lindo. As garconetes usavam vestidos de setim lilas e tiram carinha de bonecas, a comida era deliciosa (comemos panqueca russa com salmão e tomamos sopa), e a conta vinha numa espécie de porta-jóias!

Como não conhecíamos quase nada por la, ficamos andando bastante e nos informando pra não perder tempo no dia seguinte que seria corrido e voltaríamos de novo pra Alemanha logo depois do almoço.

A tarde enquanto andávamos procurando os lugares que a Leticia tinha colocado na list de hotspots conhecemos dois meninos de 19 anos que estavam passando um tempo em Moscou pra aprender teatro. Eles foram super simpáticos e nos levaram a todos os lugares que queríamos ir, de loja de souveniers a caixa eletrônico. Pena que eles já tinham compromisso pra noite, senão poderíamos ter conhecido mais lugares...
Chegado o show de luzes ficamos encantadas!! A música e as luzes eram perfeitas e a grandiosidade do evento era espantosa, quase esquecemos do frio que congelava as canelas!! =D

Depois do show fomos pro hostel super cansadas, e pra minha surpresa eles haviam desocupado a minha cama, então resolvemos conversar com a atendente. Ela não falava inglês muito mas quando ela viu na ficha que morávamos na Alemanha a conversa ficou mais fácil! Ela tem um namorado alemão e conseguimos explicar melhor o que havia acontecido. O problema foi que eu, muito esperta, esqueci de deixar alguma coisa em cima da cama pra sinalizar que a cama estava sendo usada... A camareira então desarrumou a cama e liberou pra outra pessoa, e assim minha cama foi "tomada"! Mas por não ter sido culpa minha, ficamos num quarto com menos camas, mas o quarto todo estava todo ocupado por uns meninos, jogadores de Lacrosse, e como eles tinham perdido o jogo, ja tinham bebido todas pra espantar a tristeza, foi super engraçado!
Ficamos conversando com eles e até tive que provar um tipo de iogurte que já tinha passado pela roda toda, uma beleza!!! Enfim, depois de conversarmos com todos, resolvemos dormir e dormimos como pedras!!!
O dia seguinte foi esquematizado aos mínimos detalhes! Não podíamos perder o trem que nos levaria pro aeroporto mas mesmo assim resolvemos visitar o museu do tesouro, FANTÁSTICO!!!!!!!!

Tudo saiu mais ou menos como planejávamos, só calculamos o tempo um pouquinho errado, mas graça a Deus existem os táxis!!! Pegamos um trem até a estação central, onde dessa vez eu vi uma mulher vendendo tartaruguinhas (de onde essa gente tira esses animais??? :$) e de la tomamos nosso rumo de volta pra Alemanha, sãs e salvas! Ufa...


Trilha da vez: Alors on danse - Stromae

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Eu, chique em Milão!

O dia de hoje merece um post! 
Pensa numa pessoa que se preparou pelo menos duas semanas pra vir pra Milão... *_*


A lista incluía:
Botas de couro LEGÍTIMO com cores sortidas (de pretinho básico a cor de burro-quando-foge) = Check!
Casaco da Mango®, écharpes volumosas e vestido de lã de gola alta = Check!
Bolsa roxo bebê = Check!
Tudo muito elegante aparentemente...


Enquanto eu fazia minha mala me veio aquela dúvida: "Será que eu levo o moletom verde ou o branco?", bom, depois de dois segundos concluí: "Ah, imagina, você vai pra Milão, capital da moda, e vai levar moletom? Que coisa chinfrim menina, seja chique pelo menos uma vez na vida!" Ok, deixei os dois moletons em casa, assim como as botas de neve e os casacos de pluma, porque na Alemanha é muuuuito mais fria que na Itália, certo?


Ontem, quando eu voltava pra casa, começou a nevar, ai que lindo, adoro neve!!! =)
Acontece que por causa do aquecimento global que parece ser mesmo bem globalizado, a Itália não tem um inverno tão frio ha pelo menos 27 anos, e como estamos falando da Itália, assim como no Brasil, eles nunca estão preparados, como os Alemães...
Dando uma checada rápida na internet percebi que o problema vai ser agravar nos próximos dias. O fim de semana promete -13 graus e a neve não pára de cair, é glamour que não acaba mais!


Resultado: Com +5cm de neve e -5 graus C, meu casaco da Mango parece uma camiseta folha da Hering (aquelas que costumavam vender nas lojas americanas), as botas de couro só servem para um possível acidente, daqueles em que a pessoa se "estabaca" no chão parecendo jaca madura, e as  écharpes volumosas vão servir como cobertor, já que o aquecedor do quarto não é suficiente e aqui dentro treme-se até os ossos!

Ah, sabe os moletons branco e verde? Eles estão em Hannover, no meu quarto quentinho, e mandaram lembranças! =/


http://www.spiegel.de/fotostrecke/fotostrecke-78104-7.html